Por que eu invento de pensar !?

Pensar sempre dói. Pensar sozinho dói ainda mais. Sendo impossível fugir de tal suplício mental, faço este Blog para não remoer solitário. Que seja instrumento para produzir e organizar melhor as idéias. Que motive a dura e, às vezes, solitária rotina de estudo e trabalho, a qual separa nossa utopia da realidade tão desejada. Que sirva para registrar e partilhar um pouco daquilo que eu faço, penso e sinto. Que reflita uma parte daquilo que eu sou e luto cotidianamente para ser.

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sexta-feira, junho 30, 2006

Aquecimento na Lagoa Rodrigo de Freitas

Na quarta-feira passada os termômetros registraram 12 graus no Rio de Janeiro. Essa temperatura não combina muito com as paisagens da Cidade Maravilhosa. Mesmo assim, inventamos um "aquecimento" em volta da Lagoa. Não deu muito certo, a corrida acabou virando uma sessão de fotos. Hehehehe.
O Cristo lá em cima, mesmo morrendo de frio, com os braços abertos

Luana, Laércio e eu.

Wanessa, como sempre, fugindo para o outro lado da lente.


Na volta a gente quase perdia o transporte!

Hehehe, brincadeirinha! Ainda não chegamos nesse nível. Ainda... mas é só uma questão de tempo!


No inverno: Rio, 40 graus!


Terça passada, em Ipanema, no dia do Jogo do Brasil x Gana, pelas oitavas de final, na Copa 2006...

Os bares e as ruas de Ipanema ficaram lotadas


Ei, pessoal! Lembram que na crônica sobre a Copa do Mundo eu disse que, apesar daquele discursso mal-humorado e chato, eu adorava uma boa farra? Ainda falei que os amigos não se intimidassem com o texto, e me convidassem para os próximos jogos. Pois é! Hehehe, acabei por receber um convite irrecusável pra assistir ao Jogo do Brasil contra Gana em Ipanema. Impossível resistir, não é mesmo?!


Pense numa festa boa, depois do Jogo, por essas ruas aí!

O Rio de Janeiro continua lindo...







Viajar é uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida!

Nesta semana dei uma "fugidinha da rotina" e fui bem ali no Bar do Luiz
( since 1847), em frente ao Copacabana Palace, tomar um choppinho com os amigos.




















E no calçadão de Copacabana, a princesinha do mar, tomando aquele choppinho cremoso e estupidamente gelado, "limpando a vista" , a gente entende porque Vinícius de Moraes, carioca da gema, cantou:

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no
coração
De carro pelas ruas do Rio. Um "olhar de Bossa Nova" sobre a cidade, sempre maravilhosa, apesar do frio:

Ai, quem me dera terminasse a espera

Retornasse o canto simples e sem fim

E ouvindo o canto se chorasse tanto

Que do mundo o pranto se estancasse enfim

Ai, quem me dera ver morrrer a fera

Ver nascer o anjo, ver brotar a flor

Ai, quem me dera uma manhã feliz

Ai, quem me dera uma estação de amor


Ah, se as pessoas se tornassem boas

E cantassem loas e tivessem paz

E pelas ruas se abraçassem nuas

E duas a duas fossem casais

Ai, quem me dera ao som de madrigais

Ver todo mundo para sempre afim

E a liberdade nunca ser demais

E não haver mais solidão ruim

Ai, quem me dera ouvir o nunca-mais

Dizer que a vida vai ser sempre assim

E, finda a espera, ouvir na primavera

Alguém chamar por mim

Ai, Quem Me Dera

Vinicius de Moraes


sábado, junho 24, 2006

No dia de São João, mais forró de Flávio José...

Assando milho na fogueira e cantando.

Terra Prometida

Foi num nublado
Domingo que eu vim mimbora
Numa viagem
A minha terra prometida
Buscar a sorte
E encontrar uma saída
Pra minha vida decidir-se melhorar
Com uma mulher
Que deus me deu, sem preconceito
Que tenho feito
Tanto amor e quero mais
Quero cantar a vida, decantando tudo
Que for bonito, tudo que apareça a paz
Também sou um
Rapaz latino americano
Eu não me engano
Tenho um taco desse mundo
De poeta cidadão e vagabundos
Ou vagalumes
Que devagam bar em bar
Oh! meu querido pai celestial
Minha busca é vida
Muito mais que morte
Numa procura o rumo certo
Aquele norte
Que desde garoto
Minha mãe diz ser legal

Unda rundê tidê lalaiá
Tidê lalaiá, tidê lalaiá. (bis)

Dia de São João: escutando o autêntico forró de Flávio José...

Comendo canjica e cantando.

Filho do Dono

Não sou profeta
Nem tão pouco visionário
Mas o diário
Desse mundo tá na cara
Um viajante
Na boléia do destino
Sou mais um fio
Da tesoura e da navalha
Levando a vida
Tiro verso da cartola
Chora viola
Nesse mundo sem amor
Desigualdade
Rima com hipocrisia
Não tem verso nem poesia
Que console um cantador
A natureza na fumaça se mistura
Morre a criatura
E o planeta sente a dor

O desespero
No olhar de uma criança
A humanidade
Fecha os olhos pra não ver
Televisão de fantasia
E violência, aumenta o crime
Cresce a fome do poder

Boi com sede bebe lama
Barriga seca não dá sono
Eu não sou dono do mundo
Mas tenho culpa, porque sou
Filho do dono

terça-feira, junho 13, 2006

Drogra! Por que eu invento de pensar!? A culpa foi da chuva e do Galvão Bueno

Hoje foi dia de Jogo do Brasil. Mas, ao contrário do que fez muita gente, não saí de casa. A não ser para deixar minha mãe no trabalho. Chovia muito na cidade do sol, ingrediente principal para fazer aparecer aquela aura de melancolia. Tempo para meter-se debaixo das cobertas e relaxar com o barulhinho bom da chuva, com as carícias dos respingos que saltam da janela.

Dirigindo de volta para casa, depois de deixar dona Luzimar no Míduei, ia percebendo, atordoado, uma euforia diferente solta pelas ruas. Havia algo no ar que não combinava com aquela chuvarada toda.

Lembram daquela seqüência de “Independence Day”, quando um militar acorda e sai tranqüilamente para buscar o jornal no jardim de casa, sendo surpreendido pela reviravolta na rua, até olhar para o céu e paralisar de espanto porque havia uma nave espacial pairando sobre a cidade ?

Ainda não estava bem acordado e, ao subir a vista com esforço, para observar as ruas pelas quais passava com o Celtinha, dava-me conta da existência de “energias incomuns” pairando sobre a cidade.
Então, lentamente, fui decodificando que aquilo era o éter da Copa do Mundo que estava no ar. Cujo gás da embriaguez chamava-se jogo-da-seleção-brasileira, que aconteceria logo mais às 16h, contra a Croácia, país nascido com o racha da antiga Iugoslávia.
Mas, ainda eram 10h! Pensei espantado. Ainda eram 10h e aquilo já estava assim?!
É o delírio das massas! A euforia da galera! A cidade verde-amarela em êxtase coletivo, conduzida pela overdose da Rede Globo! Rede Globoboboooo! Plim, plim! Viva Galvão Bueno! Ehhhhhhhhhh! Ouviram do Ipiranga ... Uhhhhh!
Garçom, mais uma rodada, aqui! Será que ainda tem bolha no pé do Ronaldinho!? Olha o carro do cara na TV! Quanto será que ele embolsou nesse comercial!? ... de um povo heroíco, o brado retumbante! Vai, vai! Agora! Uhhhhhhh! Ehhhhhhhh! Gooooooooooollllllllllll! Éeeeeeeee do Braaasilllllllllll!

Ufa!...Não!Era agitação demais! Decidi ficar em casa, parado. Amorfo de cara inchada, com preguiça de tomar banho e com a barba por fazer, debaixo da coberta quentinha e gostosa. Sem culpa!

Tudo para não contrastar e conflitar meu mau-humor com a "patriotada afoita" de plantão. Mas, exatamente ás 15h47 liga um amigo:

- Alô! Onde você vai assistir ao jogo? Não quer ir para casa de...?
- Não obrigado. Vou ficar em casa mesmo. Nada me tira da cama hoje!

Resultado: Fui chamado de doente. Quis ficar chateado, mas... pensando melhor, concordei. Eu era realmente um enfermo, disse para mim mesmo.

Aquela triste consciência, repentina e forte, causou instantes de agonia. Procurei desesperado o controle remoto perdido entre os lençóis e liguei rapidamente a TV em busca da cura. Tudo que eu precisava - estava convicto - era de uma dose de Galvão para melhorar meu dia. Uma injeção de emoção e “patriotismo” para melhorar meu dia.

Vi, através da telinha, que a chuva que caía em Natal, também lavou Salvador, mas, não impediu a parte do Olodum que não viajou à Alemanha de “pinotar” sorridente na principal ladeira do Pelourinho. O vale do Anhangabaú, onde estive há poucos dias, estava tomado pela multidão. E isso se repetia país afora, no Rio, em BH, no Recife... Espantoso!

Que belo o meu país!

A lágrima começou a rolar - sempre me emociono com o Brasil. Era a cura chegando. Só faltava tomar um banho, fazer a barba, vestir a camisa amarela e pegar a bandeira.

Resisti mais um pouco até escutar o Galvão nos presentear com uma informação importantíssima. Disse que o nosso time iria jogar com meias azuis. E emendou:

- Vocês sabem qual foi a última vez que o Brasil se apresentou com meias azuis em Copa do Mundo?

Parei, alguns segundos... Raciocinei.
Não! Não... não...não...não! Pare! É demais para o meu juízo! Gado é a mãe! Socorro!
Deixem-me enfermo! Doente, mau-humorado! Caso o preço seja consumir essa overdose de pseudo-patriotismo bestificante.

Desci a escada do mezanino. Fui para Internet e de lá acompanhei à distância o desenrolar da partida. Os fogos de artifício denunciaram o fim do jogo. Corri até a varanda da minha Torre de Marfim e contemplei mais uma vez, por alguns instantes, a cidade em festa.
Imaginei que além Natal, ali na minha frente, um país de dimensões continentais estava naquele momento inteiramente parado, focado numa única rede de TV.

Meu Deus que poder!

E se fosse possível construir uma mensagem capaz de transformar a realidade do nosso país, aquela era a hora certa de transmita-la!

Mas, ao contrário dessa hipotética e utópica panacéia da comunicação, falava-se em cores de meias e mostravam-se uniformes pendurados em cabides, dentro de vestiários vazios.
Sonhei com aquele poder de mobilização nacional aplicado à missão de varrer a corrupção do nosso mapa, a fome das nossas casas, o desemprego das nossas cidades, a violência das nossas ruas...

Imaginem comigo. Cento e oitenta milhões em ação. Num determinado período de tempo, correspondente ao da Copa, a Rede Globo nos acordaria bem cedo, às 4h30. Mas, não compareceríamos ao trabalho formalmente.

Sairíamos às ruas para, em mutirão, construir casas dignas e doa-las aos moradores das ruas. Construiríamos, também, escolas modernas, praças, parques, quadras de esporte e hospitais bem equipados, destinados ao excluídos da nossa Pátria Verde-amarela. Os chefes dos poderes executivos se encarregariam de liberar o dinheiro.

Os médicos e secretários de saúde se declarariam em assembléia, da qual só poderiam sair depois de terem achado um modelo de gestão eficiente para a saúde. O mesmo aconteceria com os professores.

Os ministros do supremo, desembargadores, juizes e advogados cuidariam de um plano para tornar a justiça rápida, eficiente e acessível. Os bancos teriam expedientes internos destinados a resolver o problema da distribuição de renda.

Pela tarde, sempre a partir das 16h, teríamos festas transmitidas ao vivo. Forró, Samba, Funk, Frevo, Rock.... As Multidões tomaria as quadras das escolas de samba no Rio, o Vale do Anhangabaú em São Paulo, o Largo do Pelourinho em Salvador, a praça do Marco Zero no Recife, a esplanada dos ministérios em Brasília...

Todas as cidades acompanhariam pela TV - eleito, por excelência, o mais poderoso instrumento de construção da cidadania - a revolução que teria libertado o país de mais de 500 anos de exploração do seu povo!

Quem coordenaria toda essa overdose de patriotismo, a exemplo do que acontece na Copa do Mundo, seria, obviamente, a Rede Globo de televisão, com todo seu batalhão de artistas e jornalistas, numa cobertura grandiosa e milionária: Wiliam Bonner, Fátima Bernardes, e é claro, Galvão Bueno. Viva Galvão! Viva!

Ufa! Que euforia!

Só uma explicação, se não ficou claro. Isso aqui não é devaneio utópico e romântico. É Ironia mesmo. Sarcasmo dos mais venenosos.

Mas... peço desculpas, humildemente e verdadeiramente, aos meus amigos se os atinjo com meu fel. Acho que foi a chuva que me deixou melancólico, mau-humorado. Não se assustem ou intimidem-se.

Convidem-me para os próximos jogos! Logo, eu esqueço todo esse discurso chato e pedante.

Não sou diferente de todos os brasileiros, adoro uma "fuzaca" e vocês sabem disso. Apenas aconteceu de, hoje, minha resistência à embriaguez ficar um pouco mais alta. Tudo que eu preciso é de uma dose mais forte de Galvão. Galvão na veia!!!

Até o próximo jogo!
Aqui em casa, na casa de vocês, ou em algum bar muito animado, com muita cachaça!

E viva Galvão Bueno! Viva!

terça-feira, junho 06, 2006

Soneto da Palavra ( Segunda versão. Agora já quase pronto! )

A Palavra muda.
Muda de significado.
Quando muda o olhar.
Emudece pra calar fundo.
E silencia pra não calar.

A Palavra-muda
Planta que se planta.
Na terra-boa: coração.
Muda, cresce calada.
Mas, semeia opinião.

A pá lavra a Terra.
Revolve, muda, cala e berra.
Muda a palavra-muda sem guerra.

A pá pertence ao poeta.
A semente pertence a palavra.
O significado? A gente é quem lavra.

sábado, junho 03, 2006

Apenas um conto.Pura ficção. Qualquer semelhança será mera coincidência.Será?

O barulho era ensurdecedor. Bate-estacas, britadeiras, furadeiras, tratores, caminhões, escavadeiras e toda a sorte de parafernália pesada que serve para construir - ou destruir - estava em ação. Júlio, ainda jovem, já era um dos regentes dessa orquestra enfurecida. Gritava de lá. Conversava ao pé do ouvido com os homens da sua equipe e passava ordens aos outros empregados. Abria nervoso, uma centena de vezes, a pasta preta de couro que carregava, inseparável, debaixo do braço. Nela apontava, refletia, calculava e voltava a gesticular para os peões.

Para intervir naquele cenário grandioso e eufórico, esfuziante e transtornado, como se um meteoro tivesse deixado alí a sua marca, e um exército ensandecido tentasse dar conta de apagá-la, uma sirene gritou muitíssimo alto, estridente, irritante mesmo. E mais uma turma de engenheiros e operários estava pronta para assumir a obra de expansão da linha verde do metrô paulistano. Na cidade que não pára, uma ferida daquele porte não podia parar de cicatrizar. Mas, o dia e a semana de Júlio chegavam ao fim. Eram cinco da tarde de um sábado cinzento e frio de maio.


No primeiro instante que sucedeu àquele berrar insuportável, o jovem engenheiro afastou-se de todos e desligou-se do mundo. Pousou as mãos sob o queixo, apoiando os cotovelos num bloco de concreto que ficava na margem de um precipício gigantesco. Pareceu que o toque da sirene havia separado o corpo cansado da mente onisciente de Júlio, que agora podia flutuar livre, viajar tranqüila por entre as máquinas que continuavam, lá em baixo, o trabalho desesperado que nunca cessava.


Mas, o olhar do moço, solto no horizonte, grande e alheio, teve que, de súbito, se voltar para baixo. Preso à cintura, o celular toca: Cabeção chamando...
Júlio, numa fração de segundo, salta do transe em que havia se metido e atende alegre, falando alto como de costume:

- Brother!? Por onde você anda, heim!? É vivo ainda? Ou falo com o além!?
Do outro lado a voz saia quase sem modulação. Era reta, seca e contida.
- Entendo. Outra vez, Saulinho? Claro. Eu pego você em uma hora, em frente ao Cine Bela Artes, na Consolação.


Júlio corre até o galpão, abre o armário, veste o casaco, pega as chaves do carro, tranca a pasta preta e dispara no Uno vermelho pelas ruas cinzentas do Alto do Ipiranga, em direção à Av. Paulista. Na saída, atravessa uma multidão de homens sujos e suados. Seres falantes e serelepes. Agitados porque é sábado, e chegou a hora de encher a cara na esquina mais próxima, antes de chegar em casa e apagar na cama, para esquecer que a mega-cidade fez deles homens-tatu, construtores de túneis.

( continua ... )