A vitória da sensatez
Para refutar o argumento, vamos descer a raiz da questão através de duas perguntas. O que significa um diploma? Que posição ocupa a informação jornalística na sociedade contemporânea?
Comecemos pela segunda. O jornalismo na sociedade pós-moderna ocupa posição estratégica, pela credibilidade e poder de alcance que adquiriu. Oferece ao cidadão possibilidades de leitura de mundo e formação de opinião, sobre toda imensa variedade temática que abrange a teia complexa que assumiu nossa sociedade. Media as relações entre os cidadãos e, entre estes e as instituições e autoridades estabelecidas. Retrata e recria a realidade.
Tamanha responsabilidade para os profissionais de comunicação requer, obviamente, capacitação à altura. Ao longo do tempo, num período bem recente, é verdade, quando comparado com outras profissões, mas, coincidente com o espaço cronológico, no qual foi se tornando aquilo que representa hoje, o Jornalismo foi se estruturando para atender às exigências que se colocaram.
Segundo a professora Beth Costa, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, com tal perspectiva, evoluíram e se consolidaram princípios teóricos, técnicos, éticos e estéticos profissionais, disseminados por diferentes suportes tecnológicos, como televisão, rádio, jornal, revista, internet. E em diferenciadas funções, do pauteiro ao repórter, do editor ao planejador gráfico, do assessor de imprensa ao fotojornalista.
Para isso, ainda de acordo com Beth Costa, exigem-se profissionais multimídia que se relacionem com outras áreas e com a realidade a partir da especificidade profissional; que façam coberturas da Ciência à Economia, da Política aos Esportes, da Cultura à Saúde, da Educação às questões agrárias com qualificação ética e estética, incluindo concepção teórica e instrumental técnico a partir de sua área. Tais tarefas incluem responsabilidade social, escolhas morais profissionais e domínio da linguagem especializada, da simples notícia à grande reportagem.
Quem seria capaz de preparar esse profissional? O mercado das empresas de comunicação? Muito pouco provável. Esse, dominado pela lógica capitalista, por grupos econômicos e políticos devotados a interesses muito pessoais e específicos, quer formar outro tipo de jornalista. Este papel deve ser atribuído às escolas de comunicação.
Lutar pela qualidade destas instituições de ensino? Eis, um outro passo que se coloca. Todavia, certamente, um diploma significa a certeza de que a sociedade saberá, onde, como e quem está formando seus mediadores, respaldados através de projetos pedagógicos de instituições, que apesar das suas limitações, certamente estarão mais capacitadas que este ente invisível chamado mercado.
Às universidades, mais preocupadas com o bem da sociedade em sua totalidade, caberá formar jornalistas que por princípios éticos vão ouvir todos os setores da sociedade, democratizando o acesso à comunicação.
Cai, assim, por terra o principal e mais ingênuo argumento contra o diploma. Do mesmo modo que, em outubro do ano passado, caiu por terra a possibilidade de exercer a profissão de jornalista sem ter passado pelo menos quatro anos numa instituição de ensino superior, preparando-se para assumir tamanha responsabilidade.


