Por que eu invento de pensar !?

Pensar sempre dói. Pensar sozinho dói ainda mais. Sendo impossível fugir de tal suplício mental, faço este Blog para não remoer solitário. Que seja instrumento para produzir e organizar melhor as idéias. Que motive a dura e, às vezes, solitária rotina de estudo e trabalho, a qual separa nossa utopia da realidade tão desejada. Que sirva para registrar e partilhar um pouco daquilo que eu faço, penso e sinto. Que reflita uma parte daquilo que eu sou e luto cotidianamente para ser.

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quarta-feira, julho 12, 2006

A vitória da sensatez

Ingenuidade. Essa palavra caracteriza o principal argumento daqueles que defendem o exercício da profissão de jornalista sem a necessidade de um diploma. As vozes que defendem este pensamento avaliam que a obrigatoriedade de um diploma cercearia ou limitaria o direito que a sociedade tem de comunicar-se.

Para refutar o argumento, vamos descer a raiz da questão através de duas perguntas. O que significa um diploma? Que posição ocupa a informação jornalística na sociedade contemporânea?

Comecemos pela segunda. O jornalismo na sociedade pós-moderna ocupa posição estratégica, pela credibilidade e poder de alcance que adquiriu. Oferece ao cidadão possibilidades de leitura de mundo e formação de opinião, sobre toda imensa variedade temática que abrange a teia complexa que assumiu nossa sociedade. Media as relações entre os cidadãos e, entre estes e as instituições e autoridades estabelecidas. Retrata e recria a realidade.

Tamanha responsabilidade para os profissionais de comunicação requer, obviamente, capacitação à altura. Ao longo do tempo, num período bem recente, é verdade, quando comparado com outras profissões, mas, coincidente com o espaço cronológico, no qual foi se tornando aquilo que representa hoje, o Jornalismo foi se estruturando para atender às exigências que se colocaram.

Segundo a professora Beth Costa, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, com tal perspectiva, evoluíram e se consolidaram princípios teóricos, técnicos, éticos e estéticos profissionais, disseminados por diferentes suportes tecnológicos, como televisão, rádio, jornal, revista, internet. E em diferenciadas funções, do pauteiro ao repórter, do editor ao planejador gráfico, do assessor de imprensa ao fotojornalista.

Para isso, ainda de acordo com Beth Costa, exigem-se profissionais multimídia que se relacionem com outras áreas e com a realidade a partir da especificidade profissional; que façam coberturas da Ciência à Economia, da Política aos Esportes, da Cultura à Saúde, da Educação às questões agrárias com qualificação ética e estética, incluindo concepção teórica e instrumental técnico a partir de sua área. Tais tarefas incluem responsabilidade social, escolhas morais profissionais e domínio da linguagem especializada, da simples notícia à grande reportagem.


Quem seria capaz de preparar esse profissional? O mercado das empresas de comunicação? Muito pouco provável. Esse, dominado pela lógica capitalista, por grupos econômicos e políticos devotados a interesses muito pessoais e específicos, quer formar outro tipo de jornalista. Este papel deve ser atribuído às escolas de comunicação.


Lutar pela qualidade destas instituições de ensino? Eis, um outro passo que se coloca. Todavia, certamente, um diploma significa a certeza de que a sociedade saberá, onde, como e quem está formando seus mediadores, respaldados através de projetos pedagógicos de instituições, que apesar das suas limitações, certamente estarão mais capacitadas que este ente invisível chamado mercado.


Às universidades, mais preocupadas com o bem da sociedade em sua totalidade, caberá formar jornalistas que por princípios éticos vão ouvir todos os setores da sociedade, democratizando o acesso à comunicação.


Cai, assim, por terra o principal e mais ingênuo argumento contra o diploma. Do mesmo modo que, em outubro do ano passado, caiu por terra a possibilidade de exercer a profissão de jornalista sem ter passado pelo menos quatro anos numa instituição de ensino superior, preparando-se para assumir tamanha responsabilidade.

Sobre ética e outras notícias

As normas éticas, segundo o professor e jurista Miguel Reale, não envolvem apenas um juízo de valor sobre os comportamentos humanos, mas, culminam na escolha de uma diretriz considerada obrigatória numa sociedade. O fazer jornalístico, nesse contexto, sempre foi a expressão de um complexo processo de opções valorativas da elite que detém o poder político-econômico e, conseqüentemente, a posse dos meios de comunicação social.

Uma sociedade, portanto, não é ética por decreto. Torna-se ética no transcurso de um processo contínuo e ininterrupto, dentro do qual realiza constantemente opções de conduta e valores, os quais adota e transmite às gerações, através da escola, da família e de outras instituições. Condutas e valores revelados, principalmente por meio das relações interpessoais, no trabalho, na rua, no trânsito e em qualquer situação cotidiana, na qual se atenta para o respeito ao outro.

Para os produtores de notícias, por exemplo, pouco adianta estabelecer um código de ética, quando os jornais e seu donos pertencem a uma teia, cuja função é manter o satus quo daqueles que representam. E o fazem, é claro, a partir da norma de conduta e das opções valorativas realizadas por esta elite, mais preocupada com o avanço do seu poder do que com a ética das suas ações.

Nisto resulta um Jornalismo no qual parece ter-se generalizado a opção pelo bem individual ou oligárquico, em detrimento do bem coletivo. Uma atividade reduzida, apenas, a mais um instrumento de manipulação das massas, numa verdadeira guerra entre grupos econômicos e políticos pela sedução do gado para o seu curral. Mera reprodução da opção contra-valorativa e, portando, de má conduta ética no exercício da profissão de jornalista.

O jornalismo bem feito e bem apurado, imparcial porque comprometido com o interesse da comunidade; esse é capaz de ouvir todas as vozes e versões envolvidas no fato. Esse fez uma opção valorativa calcada na consciência da importância decisiva de sua função para o desenvolvimento da sociedade em sua totalidade.

A democratização dos meios de comunicação social vem a contribuir para o fortalecimento deste Jornalismo. É urgente a capacitação e participação de novos atores no cenário da comunicação social. Profissionais que representem outros setores da sociedade civil organizada, mais preocupados e comprometidos com a conduta ética e com o bem da coletividade.

Como consequência, sem a imposição de qualquer código de ética, uma nova conduta profissional será ressaltada, e, no lugar de matérias descaradamente tendenciosas, por vezes acintosas à inteligência do leitor ou do telespectador, outro jornalismo e outras notícias aparecerão em nossos jornais, refletindo as opções valorativas de uma sociedade que decidiu dizer não ao atraso.

sábado, julho 01, 2006

A seguir...

Mais uma sessão
Por que eu invento de viajar!?
Edição Rio de Janeiro



Carioca
Chico Buarque

Gostosa

Quentinha

Tapioca

O pregão abre o dia

Hoje tem baile funk

Tem samba no Flamengo

O reverendo

No palanque lendo

O Apocalipse

O homem da Gávea criou asas

Vadia

Gaivota

Sobrevoa a tardinha

E a neblina da ganja

O povaréu sonâmbulo

Ambulando

Que nem muamba

Nas ondas do mar

Cidade maravilhosa

És minha

O poente na espinha

Das tuas montanhas

Quase arromba a retina

De quem vê

De noite

Meninas

Peitinhos de pitomba

Vendendo por Copacabana

As suas bugigangas

Suas bugigangas

Não sou carioca, mas amo o RIO!