Por que eu invento de pensar !?

Pensar sempre dói. Pensar sozinho dói ainda mais. Sendo impossível fugir de tal suplício mental, faço este Blog para não remoer solitário. Que seja instrumento para produzir e organizar melhor as idéias. Que motive a dura e, às vezes, solitária rotina de estudo e trabalho, a qual separa nossa utopia da realidade tão desejada. Que sirva para registrar e partilhar um pouco daquilo que eu faço, penso e sinto. Que reflita uma parte daquilo que eu sou e luto cotidianamente para ser.

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quarta-feira, julho 12, 2006

Sobre ética e outras notícias

As normas éticas, segundo o professor e jurista Miguel Reale, não envolvem apenas um juízo de valor sobre os comportamentos humanos, mas, culminam na escolha de uma diretriz considerada obrigatória numa sociedade. O fazer jornalístico, nesse contexto, sempre foi a expressão de um complexo processo de opções valorativas da elite que detém o poder político-econômico e, conseqüentemente, a posse dos meios de comunicação social.

Uma sociedade, portanto, não é ética por decreto. Torna-se ética no transcurso de um processo contínuo e ininterrupto, dentro do qual realiza constantemente opções de conduta e valores, os quais adota e transmite às gerações, através da escola, da família e de outras instituições. Condutas e valores revelados, principalmente por meio das relações interpessoais, no trabalho, na rua, no trânsito e em qualquer situação cotidiana, na qual se atenta para o respeito ao outro.

Para os produtores de notícias, por exemplo, pouco adianta estabelecer um código de ética, quando os jornais e seu donos pertencem a uma teia, cuja função é manter o satus quo daqueles que representam. E o fazem, é claro, a partir da norma de conduta e das opções valorativas realizadas por esta elite, mais preocupada com o avanço do seu poder do que com a ética das suas ações.

Nisto resulta um Jornalismo no qual parece ter-se generalizado a opção pelo bem individual ou oligárquico, em detrimento do bem coletivo. Uma atividade reduzida, apenas, a mais um instrumento de manipulação das massas, numa verdadeira guerra entre grupos econômicos e políticos pela sedução do gado para o seu curral. Mera reprodução da opção contra-valorativa e, portando, de má conduta ética no exercício da profissão de jornalista.

O jornalismo bem feito e bem apurado, imparcial porque comprometido com o interesse da comunidade; esse é capaz de ouvir todas as vozes e versões envolvidas no fato. Esse fez uma opção valorativa calcada na consciência da importância decisiva de sua função para o desenvolvimento da sociedade em sua totalidade.

A democratização dos meios de comunicação social vem a contribuir para o fortalecimento deste Jornalismo. É urgente a capacitação e participação de novos atores no cenário da comunicação social. Profissionais que representem outros setores da sociedade civil organizada, mais preocupados e comprometidos com a conduta ética e com o bem da coletividade.

Como consequência, sem a imposição de qualquer código de ética, uma nova conduta profissional será ressaltada, e, no lugar de matérias descaradamente tendenciosas, por vezes acintosas à inteligência do leitor ou do telespectador, outro jornalismo e outras notícias aparecerão em nossos jornais, refletindo as opções valorativas de uma sociedade que decidiu dizer não ao atraso.