Por que eu invento de pensar !?

Pensar sempre dói. Pensar sozinho dói ainda mais. Sendo impossível fugir de tal suplício mental, faço este Blog para não remoer solitário. Que seja instrumento para produzir e organizar melhor as idéias. Que motive a dura e, às vezes, solitária rotina de estudo e trabalho, a qual separa nossa utopia da realidade tão desejada. Que sirva para registrar e partilhar um pouco daquilo que eu faço, penso e sinto. Que reflita uma parte daquilo que eu sou e luto cotidianamente para ser.

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segunda-feira, maio 08, 2006

Rolou uma nova reportagem...

Tem gente pensando e fazendo diferente
*Por George Diniz


Você está às vésperas de concluir a faculdade, mas a restrição de vagas no mercado de trabalho é um fantasma que anda tirando seu sono? Saiba que a queda no número de empregos é um fenômeno mundial. Fruto de uma nova organização social do trabalho e, principalmente, do surgimento veloz de novas tecnologias de produção.

Pelo mundo os países buscam flexibilizar as leis trabalhistas na tentativa de amenizar o problema. Recentemente os jovens franceses lutaram nas ruas contra um modelo de lei que julgaram prejudicial aos seus interesses. Para espanto e horror do mundo neoliberal obtiveram êxito, mas isso nem de longe assegura alguma solução para o problema.

Será que o emprego é a única saída para quem está concluindo um curso de nível superior?

Alguns jovens, no Brasil e em terras potiguares, estão conseguindo se liberar de posturas conformistas e preparam um salto em direção à autonomia financeira, à satisfação pessoal e à qualidade de vida. Demonstram-se cansados de organizações que não sabem valorizar sua capacidade criativa e nem conseguem mobilizar suas aptidões. Estão dispostos a lançar-se na aventura de abrir seus próprios negócios.

Para navegar pelos mares do empreendedorismo é necessário superar a mentalidade de que uma minoria eleita nasceria com esse dom. Foi o que fez João Rodrigo Costa Souza, 20 anos, recém admitido no curso de Comunicação Social da UFRN e principiante no ramo de produção cultural em Natal. “Já no ensino médio tive a sorte de ser apresentado de forma lúdica e atrativa a uma quantidade de informações sobre empreendedorismo que me fizeram enxergar outros caminhos. Esse foi um marco. Outro aconteceu, agora, no período de faculdade quando conheci pessoas com as mesmas necessidades e sonhos que o mercado não é capaz de oferecer”.

O que João Rodrigo afirma como sonhos que o mercado de trabalho tradicional não é capaz de realizar é a possibilidade de produzir com dignidade e feliz, integrado numa empresa que espelhe novos valores, novas formas de gestão, principalmente humana. “Quando eu percebi que talvez não houvesse por perto o lugar que eu queria para trabalhar, comecei a pensar em como criar esse lugar. Um espaço no qual pudesse, também, ajudar aos outros”. A responsabilidade social é, aliás, uma das características das organizações imaginadas por esses jovens empreendedores.

Acontece que para criar a empresa dos seus sonhos o João e muitos outros jovens brasileiros necessitam de capacitação. E, para esse fim, as escolas de nível médio e superior têm importância fundamental. A maioria das instituições de ensino continua a formar empregados sem capacidade criativa. Cuidam, apenas, em moldar um profissional limitado. “Radialismo é o meu segundo curso aqui na UFRN, cursei história até o terceiro semestre. A universidade me ajudou com os livros que peguei na biblioteca e com um professor que incentivava o empreendedorismo nas suas aulas. Mas, não consegui perceber nada no projeto pedagógico dos cursos, até agora, que pudesse me favorecer nisso”, explica João Rodrigo.

Devido ao despreparo dos novos empresários, as estatísticas do SEBRAE demonstram que, nada menos de 50% dos empreendimentos recentes no país fecharam suas portas em menos de um ano. Daqueles que conseguiram manter-se por mais de doze meses, somente 20% sobreviveram por mais cinco anos.

Segundo Fernando Dolabela, professor de empreendedorismo na UFMG, as pequenas empresas constituem a principal fonte de empregos e são responsáveis, em muitos países, por mais de 50% do PIB, além de gerarem o maior volume de exportações e inovações tecnológicas. Informações que tornam mais desastrosas as estatísticas do SEBRAE.

E se a saída econômica para o país é o crescimento econômico, por que o ensino de empreendedorismo parece ficar restrito, quando muito, apenas a alguns cursos como administração? Boa pergunta para fazermos aos nossos governantes na campanha política deste ano.

Para Anderson Luis, 22 anos, que conclui administração no final deste ano, e se prepara para abrir um bar temático na capital potiguar, a faculdade foi decisiva na hora de mudar os planos para sua carreira profissional. “Na UFRN, o curso é mais voltado para quem quer montar seu próprio negócio. Eu acabei sendo direcionado pela universidade para ser empresário. Antes de entrar pensava em pegar o canudo e ser empregado de uma grande empresa, agora não quero mais isso”.

Atualmente, Anderson está preparando o plano de negócio da sua futura empresa e explica que seu curso o capacitou para isso de diversas maneiras. “Além de disciplinas específicas como Empreendedorismo e Plano de Negócio, o conteúdo de outras matérias é dado com enfoque na preparação para abertura da própria empresa. Os professores falam com se a gente sempre fosse abrir um negócio”.

O professor Fernando Dolabela explica que a maioria dos fracassos na abertura de negócios registrada pelo SEBRAE acontece porque os empresários não realizam com competência, ou simplesmente não realizam, o que Anderson foi orientado e capacitado para fazer agora, antes da abertura do seu bar temático. Um projeto que contempla o estudo do mercado em que pretende atuar, planejamento e descrição detalhada da empresa, no intuito de minimizar os riscos do negócio.

É pouco comum ouvir jovens como Kaliany Gurgel estudante de Turismo da UNP, falando sobre custo financeiro, pesquisa de mercado, qualidade dos fornecedores com a mesma desenvoltura em que conta como foi a balada da noite anterior. Filha de empresário, Kaliany diz que desde os 15 anos tem vontade de ter o próprio negócio. Aos 22 anos já teve a oportunidade de trabalhar na elaboração de vários planos de negócios e prepara agora o seu. “Se eu preciso me sustentar por que não fazer isso trabalhando na minha própria empresa? Vai me trazer muito mais felicidade e segurança!”.

Kaliany, Anderson e João são exemplos de jovens que começam a despertar para outros caminhos, alternativos ao mercado de trabalho convencional. Pensam diferente da maioria dos seus amigos, porque estão aprendendo a ver e a aproveitar oportunidades, onde os outros só enxergam pessimismo. Querem ter um trabalho capaz de aliar felicidade, qualidade de vida e responsabilidade social. Eles representam, no Brasil e aqui no Estado, uma mudança de mentalidade que vem provocando uma revolução silenciosa ao redor do mundo.

1 Comments:

Blogger Seu Tatu said...

bondade sua :)

12:00 PM  

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